segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Felices fiestas y un excelente 2013



Estimad@s amig@s:

Llegando al final de un año de importantes cambios y luchas democráticas, les deseo unas excelentes fiestas de navidad y que el 2013 venidero nos ofrezca a tod@s nuevas oportunidades para mejorar nuestra vida y nuestro planeta.

Fraternalmente, Fernando

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Edgar Morin: O futuro da humanidade















Silvio Caccia Bava
Le Monde Diplomatique

Para o sociólogo e filósofo Edgar Morin, veterano da Resistência Francesa durante a Segunda Guerra, transformações invisíveis que acontecem neste momento em nossa sociedade escondem as sementes da construção do improvável. “Entre a desilusão e o encantamento existe uma via que é a da vontade e da esperança”, anuncia

Edgar Morin, pseudônimo de Edgar Nahoum, nasceu em Paris, em 8 de julho de 1921. Fez seus estudos universitários em História, Sociologia, Economia e Filosofia. Licenciou-se em História, Geografia e Direito. Durante a Segunda Guerra Mundial, participou ativamente da Resistência Francesa. É diretor de pesquisa emérito do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS, na sigla em francês). Em 1991, tornou-se codiretor do Centro de Estudos Transdisciplinares de Sociologia, Antropologia e História (Cetsah) − tutelado pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais e pelo CNRS −, que em 2008 passou a se chamar Centro Edgar Morin. Doutor honoris causa por mais de trinta universidades e premiado internacionalmente, durante vinte anos Morin consagrou-se à pesquisa de um método apto a encarar o desafio da complexidade que se impõe na contemporaneidade não apenas ao conhecimento científico, mas também aos problemas humanos, sociais e políticos. Essa pesquisa culmina com a proposta de uma reforma do pensamento apresentada por meio de seus livros divididos em macrotemas. Com mais de 60 livros publicados, destacam-se O método, em seis volumes, Ciência com consciência, Introdução ao pensamento complexo e Os sete saberes necessários para uma educação do futuro.

O senhor tem o costume de dizer que não sabe sobre o futuro. Mas, em um de seus diários, o senhor diz que está pessimista com o futuro, o futuro da humanidade, e que as probabilidades não são boas − por isso mesmo é necessário acreditar nas improbabilidades. Essa é uma questão muito importante, porque as improbabilidades acontecem em contextos históricos. Como nós pudemos ver na Primavera Árabe, as revoluções não conseguem garantir novos governos democráticos e populares. Para que surgissem governos democráticos e populares em alguns países da América Latina, movimentos sociais e redes de cidadania construídas ao longo de mais de trinta anos atuaram de maneira muito importante. Um mundo em transformação requer um projeto de transformação e uma rede de sustentação social e política desse projeto. E nós sabemos que o novo não nasce do nada, nasce de mudanças qualitativas, de saltos às vezes imprevisíveis que apontam um sentido comum, mas que partem da realidade atual. Isso também coloca a questão de um programa de transição. Mas, mais do que tudo, coloca a questão de quem serão esses novos atores que vão operar essas mudanças.

Em primeiro lugar, é preciso definir o que é probabilidade. Para um observador situado em um lugar e em um tempo dados, o conhecimento do processo histórico no qual se encontra é o que lhe permite projetar o futuro. Se hoje projetamos o futuro, o que vemos? Vemos a proliferação dos artefatos nucleares, a degradação da biosfera, uma economia cada vez mais em crise, o crescimento da desigualdade, toda uma série de desastres. Há também alguns processos positivos, mas eles permanecem invisíveis ou são pontuais. O improvável já ocorreu na história da humanidade. O provável não é definido, permanece incerto. Nós podemos observá-lo em diferentes épocas da história. Eu o vi em 1941, quando havia uma grande probabilidade de dominação nazista por toda a Europa. Os soviéticos, com a defesa de Moscou, e os japoneses, bombardeando Pearl Harbor, o que forçou a entrada dos Estados Unidos na guerra, fizeram as probabilidades mudar. Isso para dizer que, quando as probabilidades são negativas, eu não fico desesperado, eu me ponho em defesa de um programa.

Não acredito que se deva pensar em um projeto de sociedade; é necessário, sim, indicar um caminho. É essa a dificuldade. Quanto ao programa de transição, que conheci através de Trotsky, bem, não acredito em programas, mas em estratégias. É que um programa já está determinado antes mesmo da caminhada, e o caminho é uma corrente que vai no sentido favorável. Vamos avaliar a situação: será que podemos mudar o caminho? Aparentemente não.

Ao longo da história, podemos identificar que ocorreram mudanças de caminho a partir de acontecimentos isolados, menores, invisíveis, como as mensagens de Buda, de Jesus, de Maomé, ou mesmo o socialismo, que no século XIX tinha Marx, tinha Proudhon, que difundiram ideias que dezenas de anos depois se transformaram em forças muito importantes, gerando tanto a social-democracia como o comunismo. Portanto, sempre houve um início modesto das novas forças. Podemos recorrer à velha noção de história, que caminha também por seus canais subterrâneos, que sempre está em movimento, que o presente não está imóvel e que nele atuam forças de transformação invisíveis. De resto, quando você pensa na descoberta da energia atômica, percebe que foi uma descoberta totalmente invisível, uma descoberta especulativa, intelectual, do exercício de pesquisa de alguns físicos. E dez anos depois essa energia se transforma em bombas de destruição. Portanto, existem muitas coisas que estão invisíveis, o futuro não é previsível, é preciso resistir e construir o improvável.

Um pouco por toda parte existem iniciativas muito importantes, dispersas em relação umas às outras. Há experiências na agricultura, na agroecologia, na biologia, na educação, nas cooperativas, há a economia que chamamos de social e solidária. Temos a necessidade de recusar a grande agricultura capitalista industrializada para defender os pequenos proprietários rurais e a agricultura familiar; há uma luta contra os atravessadores, os intermediários; há muitas frentes que se criam em todos os domínios, o que demonstra que tudo pode ser reformado. Tudo: a justiça, a conservação, a produção. Mas eu digo também que esses processos, que começam localmente e se firmam, devem confluir.

O que é preciso reformar? As estruturas sociais e econômicas? Ou as pessoas e a moral? Eu digo que esses processos têm de vir juntos. Porque, se você reforma somente as estruturas, você chega à situação da União Soviética. Mas, se você propõe caminhos individuais ou comunitários, eles fracassam depois de alguns anos. Operando nos dois planos, essa corrente conflui para criar o novo. O grande problema é a metamorfose − prefiro a palavra metamorfose à palavra revolução −, pois penso que em um momento dado, quando um sistema não é mais capaz de tratar suas questões vitais, ou ele se desintegra, ou regride e se torna ainda mais bárbaro, ou é capaz de criar um metassistema, que recicla seu projeto. A metamorfose existe não somente nos insetos, que se transformam em borboletas, mas também na história. A Europa se metamorfoseou da Europa medieval, feudal, religiosa, para a Europa moderna, contemporânea. A metamorfose é possível e torna possível criarmos um novo modo de desenvolvimento e um novo tipo de sociedade que não podemos prever, mas que ultrapassa as expectativas dos indivíduos e da sociedade atual. Penso que é isso que podemos esperar, mesmo que hoje não sejamos capazes de descrever ou imaginar essa futura sociedade.

Uma pesquisa feita pela Secretaria de Economia Solidária, do governo federal, identificou mais de 42 mil experiências de economia solidária no país. Veja que em nossa sociedade já há sinais de transformação. Mas, paralelamente, existe tal poder no mundo atual − eu falo do poder do sistema financeiro, das grandes corporações −, que mesmo a The Economist assinala que é preciso mudar essa situação. A revista lança um desafio aos governantes: buscar um modelo que contemple, ao mesmo tempo, o crescimento e uma maior redistribuição da riqueza. É uma discussão da transformação e reforma do capitalismo no sentido de manter as estruturas de poder e buscar a estabilidade política promovendo um pouco mais de distribuição da riqueza. É possível pensar nessa metamorfose com esses grandes poderes financeiros que controlam o mundo?

Parece-me que a grande dificuldade de lutar contra a dominação do capitalismo financeiro e contra a especulação financeira é que isso só pode ser feito em nível internacional. Por exemplo, para suprimir os paraísos fiscais é necessário que todos os países se ponham de acordo, assim como para taxar a especulação financeira. Penso que há duas ameaças que atemorizam o mundo: uma delas é o capitalismo financeiro, a dominação financeira; a outra é o fanatismo étnico-religioso. Eles se alimentam uns dos outros. A questão das transnacionais está colocada e isso só pode ser tratado em escala planetária. A tragédia é que sofremos da ausência de instituições planetárias dotadas de poder de decisão. O fracasso da Rio+20 criou uma desilusão enorme. É por isso que não progredimos no desenvolvimento da noção de um destino comum para a comunidade terrestre.

Mesmo considerando a ideia de solidariedade internacional que existia, sendo ela socialista, comunista ou libertária, essas ideias não progrediram para enfrentar a situação atual. Agora, quais são as forças sociais que podem agir? Não podemos mais pensar que seja a classe operária, industrial. Em minha opinião, é a boa vontade dos homens, das mulheres, dos jovens e dos velhos, que vão confluir nessa tomada de consciência. E, bem entendido, esse é o destino dos povos que são dominados, oprimidos, e que querem conquistar sua emancipação. E que vão contribuir para o processo de emancipação.

Você falou da Primavera Árabe, que era imprevista, improvável. Desde o início saudei esses acontecimentos com entusiasmo. Escrevi um artigo no Le Monde em que dizia para pensarmos em 1789: foi uma primavera maravilhosa, mas o que aconteceu depois? Aconteceu o Terror, o Termidor, Bonaparte, o Império, o retorno do rei e a revolução de 1848, e depois novamente o Império, e a França só chegou à República no século XX. Há aí uma mensagem: se regenerar no curso da história. Haverá regressões, manipulações, traições, mas a questão é saber se esses governos eleitos e de tendência extremista vão respeitar ou não as regras da democracia. Somos desafiados a ter esse mesmo papel histórico que a Primavera Árabe. Reconheço que as forças de transformação para criar uma nova situação para o planeta são muito débeis, estão dispersas, mas há momentos de aceleração e de amplificação que precisam ser considerados.

Mas a Primavera Árabe demonstra também que, mesmo se tivermos irrupções sociais fortes de movimentos sociais, as acomodações políticas que buscam a estabilidade colocam os conservadores no governo. Vejo que Immanuel Wallerstein está de acordo com o senhor quando diz que ainda teremos de enfrentar muitas crises para abrir o caminho para uma sociedade pós-capitalista.

Sim, mas quero dizer que as forças energéticas da juventude na Tunísia e no Egito foram capazes de questionar o sistema atual, mas continuam incapazes de anunciar o novo caminho político. E estão divididas. O que faz falta é um pensamento político. A situação demanda um pensamento que não seja somente analítico, mas dê uma direção, um caminho. Hoje, há uma esterilidade total e geral não somente no mundo árabe ou muçulmano, mas também na França. Há uma crise do pensamento político, da capacidade de análise na sociologia mundial. E esse é um fator da impotência atual. É preciso recuperar o pensamento. Jamais haveria o socialismo sem o pensamento de Marx; jamais teríamos um libertarismo sem a contribuição de Kropotkin.

O neoliberalismo, nos anos 1990, terminou com a discussão sobre o futuro. Sua preocupação era administrar a situação presente e melhorar a condição dos mais pobres. Por conta disso não temos uma referência atual, seja do que possa ser a esquerda, seja do que possa ser um programa de transformação no sentido de construir um projeto comum entre os grupos que são diferenciados, mas reivindicam o papel da resistência. Qual é o meio de unificar essas diferenças?

O neoliberalismo está em crise. Ele se apresentava como uma ciência, mas hoje sabemos que é uma ideologia. E assistimos à crise gerada por ele. O problema é que sabemos fazer a denúncia, mas não sabemos enunciar o que queremos, qual é o novo caminho. E precisamos caminhar no sentido de construir esse novo caminho comum. Por exemplo, existe todo um conjunto de pequenos camponeses ameaçados pela grande indústria, os pequenos artesãos, o mundo operário − por todos os lados as pessoas são exploradas, alienadas, e tomarão consciência disso. Quando elas tomam consciência − e hoje em dia temos de defender a diversidade, não somente a biodiversidade, mas a diversidade das sociedades −, neste momento estamos no começo de um novo caminho. Não podemos nos iludir, mas também não podemos entrar na desilusão. Entre a desilusão e o encantamento existe uma via que é a da vontade e da esperança.

Qual é a mensagem que o senhor quer dirigir à juventude?

Frequentemente, os jovens franceses vêm me encontrar e me dizem que tenho sorte porque, quando eu militava na Resistência, tinha uma causa justa, uma causa bela, que hoje eles não têm. Sua percepção é de que vivemos na precariedade, não temos cultura, futuro algum. E eu lhes respondo que nossa causa tem suas sombras, que não víamos na sua época. Nós libertamos a França em nome da liberdade e contra a dominação. E reafirmamos a dominação sobre a Argélia e sobre nossas colônias. A segunda coisa, eu era comunista; é preciso considerar que Stalingrado foi a maior vitória e a maior derrota. A maior vitória porque barrou o nazismo. A maior derrota porque deu espaço para o stalinismo.

Hoje há uma causa que, em nome da liberdade e contra a dominação, não tem nome; é a causa de toda a humanidade, de todos os povos, de todos os continentes. A humanidade está ameaçada por toda essa loucura, pela busca do lucro, por toda essa insanidade fanática. Minha recomendação é que, aí onde você está, lute pelas mutações, quer elas tenham dimensão global ou local. O desenvolvimento local favorece a melhoria global e a melhoria global favorece o desenvolvimento local. É este o desafio atual: tomar consciência do que hoje são os problemas e se engajar para enfrentá-los. É isso que eu quero dizer para a juventude.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

La derecha después de la gran crisis

Alvaro Ramis
Punto Final

Han transcurrido más de cuatro años desde que se inició la actual crisis financiera internacional, con la quiebra del gigantesco banco de inversiones Lehman Brothers el 15 de septiembre de 2008. Desde ese día, la historia económica del mundo se ha acelerado, y en ese envión han ido cayendo las certezas acumuladas por medio siglo de relativa estabilidad internacional.

Entre las convicciones que se evaporaron está la idea del progreso continuo y constante. Todos los nacidos después de la segunda guerra mundial habíamos bebido de la idea, simple y alegre, que sostiene que viviremos mejor que nuestros padres. Pero ocurre que esa verdad era sólo una hipótesis, y las evidencias empiezan a mostrar que podría estar errada, y que en muchos aspectos viviremos peor. Tendremos más ciencia y tecnología, pero en otros aspectos no gozaremos de una mejor calidad de vida. Nuestros empleos serán más precarios y por ello, nuestras jubilaciones serán más escuálidas. Deberemos pagar más por la salud y la educación de nuestros hijos. Los derechos sociales y las conquistas democráticas alcanzadas se desvanecen en el aire.

Por eso, hasta en los países con democracias “avanzadas” se empieza a hablar de la dictadura de los mercados, no como una metáfora o una hipótesis radical, sino como una evidencia cotidiana en la medida en que los gobiernos parecen resignados a obedecer los mandatos de un nuevo poder, ubicuo y difuso, que todo lo sabe y que todo lo controla. El filósofo italiano Mario Perniola ha propuesto una explicación inteligente a este cambio de ciclo: “Mi tesis se centra en un nuevo fenómeno: la ruptura de la alianza entre el capitalismo y la burguesía. La burguesía ya no le sirve al capitalismo, que encuentra en la clase media un obstáculo a la expansión del patrón neoliberal. La clase media es demasiado costosa. En el siglo XIX el burgués era un acaudalado que vivía de una renta. Hoy el capitalismo ya no está dispuesto a pagar un sueldo ‘político’ independiente del mercado. Eso nos conduce a la formación de solo dos rangos sociales: una pequeña minoría de super ricos y una enorme masa de subocupados y miserables”.

Por esta ruptura el capitalismo neoliberal ya no necesita imponerse ideológicamente. Más aun si sus fundamentos teóricos, lo que le hacía “razonable” ante las clases medias, han quedado refutados por el curso mismo de los acontecimientos. El rey mercado, autorregulado y autosuficiente, quedó desnudo en la medida en que los Estados tuvieron que salir a cubrir sus vergüenzas con el dinero de los contribuyentes. El gurú del neoliberalismo, Alan Greenspan, lo tuvo que reconocer en 2008 durante una comparecencia ante el Congreso norteamericano que examinó sus responsabilidades como presidente de la Reserva Federal.

Lo que Greenspan tuvo que reconocer no es baladí. Todo su andamiaje conceptual se basaba en un dogma, aparentemente irrefutable, que en esa comparecencia sintetizó al decir: “El interés propio de las organizaciones, específicamente los bancos, era tal que los hacía capaces de proteger mejor a sus propios accionistas y el patrimonio de las empresas”. Esa idea tiene una larga tradición, que entronca con Adam Smith cuando decía: “No es por la benevolencia del carnicero, del cervecero y del panadero que podemos contar con nuestra cena, sino por su propio interés”. Pero en la realidad los bancos de inversión, abandonados a buscar su propio lucro, no sólo se autodestruyeron, sino que arrastraron los intereses generales de toda la sociedad a un horizonte futuro de pobreza y precariedad insospechado. Por lo tanto, no basta con dejar al carnicero, al cervecero y al panadero buscar desreguladamente sus propios intereses, porque pueden terminar acribillándose y dejándonos a todos sin carne, sin cerveza y sin pan. Por algo Adam Smith complementaba su idea de la “mano invisible” con una sólida teoría de los sentimientos morales, que sus seguidores se encargaron de poner en el olvido.

La mayor bancarrota en esta crisis no ha sido la de los bancos. Ha sido la ruina de la ideología del mercado autorregulado. Pero una cosa es que se haya muerto el fundamento legitimador del actual modo de producción y otra cosa es que se haya terminado. Dicho de otra manera, la ideología neoliberal ha sucumbido, aunque el neoliberalismo en sí goza de abundante vida y salud política. ¿Cómo puede suceder tal cosa? Porque el capitalismo neoliberal no se ha impuesto en el mundo por la lucidez de sus argumentos lógicos, la consistencia de sus ecuaciones o la coherencia de sus principios políticos. Lo ha hecho porque ha tenido la fuerza coercitiva para ejercer su dominio.

La refutación matemática del neoliberalismo ya se había hecho en 1956, con la “Teoría del segundo óptimo” formulada por Richard Lipsey y Kelvin Lancaster, que destruyó con números los mitos de la competencia perfecta, el mercado eficiente, las expectativas racionales y el orden espontáneo, frutos de la “fatal arrogancia” de Friederich von Hayek y su escuela. Lo que ahora ha ocurrido es una nueva refutación, pero en la dura realidad. Por eso hemos entrado en una etapa histórica en la que las fuentes de legitimación social y cultural del capitalismo neoliberal se han debilitado. Y por lo tanto su capacidad de dominar por la vía del consenso, activo o pasivo, se han reducido gravemente. Lo que por una parte abre grandes ventanas de oportunidad a la multitud subalterna y plebeya que antagoniza per se con el poder del capital. Pero a la vez el agotamiento ideológico del neoliberalismo augura un escenario de mayor violencia y despotismo de parte de la dictadura de los mercados. Cuando el soft power ideológico se agota se abre la puerta al hard power represivo. Por eso estamos viendo una arremetida impúdica que busca criminalizar la protesta social, debilitar las garantías judiciales, minimizar los derechos humanos y rebajar los estándares democráticos. Y esto no ocurre sólo en Chile o en otros países periféricos, sino en países centrales de larga tradición institucional y con amplias clases medias en proceso de rápida pauperización.

Durante los años de bonanza nos vendieron una novela rosa que hablaba de las virtudes del autointerés racional, de modo que si cada uno buscaba egoístamente su propio bien se realizaría por arte de magia el bien común. Pero era evidente que este cuento de hadas no cuajaba en el mundo de la vida. Incluso los intelectuales de la derecha intelectualmente más rigurosa, como James Buchanan, nunca aceptaron estos cantos de sirena y trabajaron sobre la base de las enseñanzas del viejo ogro Thomas Hobbes, que advertían que sin un Leviatán poderoso, un Estado que se precie, la condición humana lleva necesariamente a la guerra perpetua de todos contra todos. Por eso, en esta nueva etapa, la derecha “libertaria”, que ha abundado desde los años de gloria de Milton Friedman, será reemplazada por una nueva derecha más autoritaria y dirigista de la economía, estatalista a su manera, proteccionista, corporativista, represiva, nacionalista, en definitiva, más “hobbesiana”.

Este giro ya se puede ver en Europa. Junto al alza electoral de neonazis y partidos de ultraderecha, la derecha tradicional o moderada está virando muy rápidamente en esa misma orientación. Ha reconocido que la deslocalización de su tejido industrial hacia China y otras economías emergentes fue suicida y ahora desea reindustrializarse, pero a costa de retomar los discursos nacionalistas, xenófobos y racistas. Se tiende a abandonar la idea del diálogo social y se procede por imposición unilateral de las políticas, sin reconocer a los sindicatos, ONGs y otras instancias que permitieron modular la tensión social en las últimas décadas. De celebrar la globalización como un tiempo lleno de oportunidades, se ha pasado a un discurso catastrofista, lleno de amenazas, que exige sacrificio y austeridad bajo la excusa de la competitividad internacional. Los grandes grupos empresariales, aterrados, contemplan el mercado global como a un Frankenstein que se les ha escapado de las manos y reclaman a los gobiernos que les brinden mayor protección, subsidios, amparo jurídico, y les garanticen un mercado nacional libre de competidores.

Este cambio podría llevar a pensar que basta con recuperar las ideas del desarrollismo y la planificación estatal. Pero no hay que olvidar que el nuevo Leviatán no es el Estado nacional, sino una trama de poderes financieros, muy restringida, que usa a los Estados como gendarmes de sus conveniencias. Por ello no basta exigir más y mejor Estado. Es necesario atacar al corazón de la bestia, y oponer a la idea del libre mercado la demanda por un mercado liberado, que permita democratizar la economía sobre la base de destruir los monopolios, las concentraciones de poder y las instituciones que crean escasez artificialmente para garantizar sus utilidades. Se trata de una agenda anticorporativista a la que la Izquierda no ha prestado demasiada atención, focalizándose en la defensa de la esfera de lo público-estatal. Pero ante la magnitud de la crisis, no basta. El futuro pasa por una economía social, de alta productividad, a pequeña escala, sobre una base del conocimiento técnico, la innovación y la colaboración entre pares. A la derecha neohobbesiana y su nuevo Leviatán sólo cabe oponer un programa radicalmente democratizador.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Jacques Rancière fala sobre estética e política

Guilherme Freitas
O Globo

Contra a visão da modernidade como um momento em que a arte se fecha sobre si mesma, o filósofo francês Jacques Rancière aponta elementos do projeto modernista que postulam a arte como um espaço livre de hierarquias, “aberto a qualquer um”. Rancière conversou com O Globo durante passagem recente pelo Rio, quando participou de um seminário em sua homenagem na UFRJ e lançou três livros, O espectador emancipado, As distâncias do cinema e O destino das imagens. Na entrevista, o filósofo diz que a política da arte não está em forjar “explicações do mundo” e sim “laços comunitários”, e sugere que o conceito de “emancipação intelectual”, formulado por um pedagogo revolucionário do século XIX, pode ser útil ao artista contemporâneo.

Em livros e palestras, você tem discutido a necessidade de repensar a noção de “modernidade estética”. Como define essa noção e por que é preciso repensá-la?

Todo meu trabalho tem sido uma crítica à visão dominante da modernidade como um processo de autonomização da arte. No coração dessa visão dominante está a ideia da arte moderna como uma ruptura clara com a representação, um processo no qual cada arte foi criando um mundo autônomo e cada vez mais centrado em sua própria linguagem, por assim dizer, como no caso da pintura abstrata ou da música dodecafônica. Prefiro falar na modernidade artística como uma passagem de um regime representativo da arte a um regime estético da arte. O universo da representação é essencialmente hierárquico, ele funciona por meio de uma seleção que diz que certas coisas pertencem a ele e outras não. Nele, um sujeito pode inclusive definir uma forma artística: no mundo clássico tínhamos a tragédia para os nobres e a comédia para as plateias populares, por exemplo. Meu argumento é que a modernidade estética, ao romper com esse universo representativo hierárquico, oferece uma definição da arte como mundo autônomo mas também, ao mesmo tempo, postula a arte como um espaço desierarquizado, aberto a qualquer um e no qual não há separação rígida entre formas artísticas.

Que elementos do projeto modernista permitem essa interpretação?

Tento recolocar no centro do projeto modernista algo que faz parte dele mas foi contornado e deixado de lado a certa altura do século XX, que foi a tentativa de chegar a uma espécie de interpenetração entre as formas de arte e as formas de vida. Hoje costumamos pensar no modernismo e nas vanguardas como momentos em que a arte tentou se separar da vida. Esse julgamento escanteia elementos fundamentais do próprio projeto modernista, por isso tento evitá-lo. Falei disso em um livro sobre Mallarmé (A política da sereia, de 1998). Ele é considerado o poeta modernista por excelência por fazer do poema uma espécie de pensamento da língua sobre ela mesma. Tento argumentar que no coração do trabalho de Mallarmé há uma visão sobre o lugar do poeta na economia simbólica da sociedade e da linguagem, um desejo de devolver à poesia algum tipo de função social. Insisto que para Mallarmé o moderno da poesia tem que ser buscado além da poesia, nos espetáculos considerados populares, nas pantomimas, na dança, na música.

Como essa quebra de hierarquias se manifesta na linguagem do cinema, que tem sido objeto frequente dos seus estudos?

Uma experiência definitiva na minha formação, nos anos 60, foi o movimento da “cinefilia” na França. Foi um momento de grande revisão das hierarquias artísticas. O debate sobre o cinema estava em plena efervescência, alguns viam nele uma vocação para ser a arte moderna por excelência, outros apenas um passatempo para as massas, comparável ao circo ou a uma quermesse. A “cinefilia” francesa dos anos 50 e 60 foi uma espécie de intervenção nesse debate, afirmando, por um lado, que um grande filme não era apenas aquele composto por imagens requintadas e ambições metafísicas, e, por outro lado, que também havia grande arte nos filmes populares. Grande não era só um filme de Antonioni, também podia ser uma comédia de Vincente Minnelli ou um western de Anthony Mann. Historicamente, o cinema se aproveitou dessa ambiguidade para se tornar uma arte que é difícil classificar no espectro estético, e mesmo no seu interior é difícil classificar os filmes numa cadeia de valor. Basta pensar em alguém como Chaplin, que foi ao mesmo tempo um clown popular e o grande ícone da modernidade, mais até do que Mondrian, Kandinsky ou Schoenberg.

Você mencionou a “interpenetração entre formas de arte e formas de vida”. Como essa ideia se liga com outra preocupação central em seu trabalho, a relação entre estética e política? Na sua opinião, o que pode ser uma “arte política” hoje?

Não há uma definição unívoca de “arte política”, porque não estamos mais nesse regime que chamo de “representativo” e, portanto, não se pode tentar antecipar o efeito de uma obra de arte. Há uma noção convencional de “arte política” que denota o desejo, por parte do artista, de expor uma injustiça ou de afirmar a necessidade de reformas na maquinaria social. Mas essa noção faz parte de uma ideologia representativa que supõe a existência de um público homogêneo sobre o qual agiriam as intenções do artista. Hoje vivemos num mundo em que o artista não pode antecipar as consequências do seu trabalho e há diversos modelos de arte política. O mais interessante me parece ser aquele no qual a arte não é apenas um meio para transmitir noções sobre a vida, e sim uma forma de vida ela mesma. Um antecedente disso seria o projeto cinematográfico de Vertov, por exemplo, que não era uma tentativa de representar a realidade comunista, mas sim de se constituir como um laço comunitário. É uma arte que se pensa como capaz de criar, por sua prática, o tecido de novas formas de vida.

Você costuma definir a relação entre estética e política usando o conceito de “partilha do sensível”. Poderia dar um exemplo dessa operação?

O modelo da arte que assume um compromisso político teve em Brecht uma referência. Brecht almejava desestabilizar a percepção do espectador para que, no espaço da obra, ele visse como absurdo aquilo que considerava normal, produzindo assim alguma transformação em seu espírito, que poderia ser canalizada em energia para ações transformadoras. Esse raciocínio é muito problemático, claro. “Desestabilizar a percepção” era um princípio surrealista que Brecht tentou transmutar em pedagogia política. Isso nunca produziu efeitos políticos verificáveis, só produziu uma certa concepção do que uma “arte política” deveria ser. Mas há outro modelo de compromisso político, que está um pouco esgotado mas precisa ser renovado, que concebe o trabalho político do artista como a investigação de determinado aspecto da realidade que está enquadrado, estereotipado ou formatado pelo senso comum, na tentativa de devolvê-lo à realidade sensível. Esse modelo é importante para pensarmos na arte não como uma pedagogia ou explicação do mundo, e sim como uma reconfiguração do mundo sensível. Vejo isso no trabalho do cineasta português Pedro Costa, por exemplo. Em seus filmes com comunidades de imigrantes em Portugal (como Juventude em marcha e O quarto de Vanda), ele não está interessado apenas em descrever a miséria ou denunciar a exploração, mas sim em tornar sensível esse universo, em restituir a força da experiência e da palavra aos excluídos.

Você trabalhou com o conceito de “partilha do sensível” em seus estudos sobre o realismo literário do século XIX. Como essa ideia de reorganização dos elementos sensíveis se manifesta na literatura?

A pergunta de fundo da arte política é: o que constitui uma comunidade? A grande contribuição do romance realista não foi só representar os pobres, os trabalhadores e as “pequenas vidas”. Foi romper no espaço da obra de arte a cisão que existia entre eles e o resto da sociedade, realizando um trabalho de desierarquização. Afirmar que qualquer vida, qualquer evento pode ser interessante. Por meio de uma técnica formal que abandona a noção de trama tradicional para investir em microeventos, a literatura põe em cena vidas de pessoas quaisquer, oferecendo uma alternância de universos sensíveis. E nisso há algo que não se restringe ao realismo do século XIX. Quando uma escritora como Virginia Woolf, em seu ensaio Ficção moderna, denuncia a “tirania da trama”, ela está postulando o romance moderno como uma grande democracia dos eventos. De certa forma esse foi o grande paradoxo e a força do romance do século XX: como subverter a “tirania da trama” e identificar o curso dos eventos sensíveis, colocando em cena essas vidas quaisquer e também as cicatrizes da Justiça e da História?

No livro O espectador emancipado, você retoma o conceito de “emancipação intelectual” discutido em uma obra anterior, O mestre ignorante, e o aplica ao universo das artes. Como define essa “emancipação”?

Recuperei o conceito de “emancipação intelectual” de um personagem extravagante, o pedagogo francês Joseph Jacotot (1770-1840). Nas primeiras décadas do século XIX, ele defendeu uma ideia que ia contra o modelo de educação que começava a se cristalizar na época: a ideia de que há pessoas ignorantes, que não compreendem as coisas, não têm cultura nem conhecimento, e que por isso precisam de ajuda para progredir ao nível das pessoas cultas. Jacotot dizia que não é nada disso, que a igualdade não é um ponto de chegada e sim um ponto de partida, e que não se deve “instruir” as pessoas para que se tornem iguais, e sim partir do princípio de que elas são iguais por terem, todas elas, suas próprias aptidões e conhecimentos. Era uma ideia radical, muito combatida na época, que julguei importante recuperar.

E qual pode ser o lugar das artes nesse processo de “emancipação”?

Creio que a questão não é tanto o que as artes podem fazer pela emancipação das pessoas, mas sim o que podem fazer para emancipar a si mesmas. Os artistas só poderão contribuir para a emancipação se entenderem que se dirigem a semelhantes, em vez de achar que estão transformando ignorantes em sábios. Isso só é possível se a instituição artística colocar seus princípios em questão permanentemente. Assim como um pedagogo não pode achar que está lidando com aprendizes incapazes, um artista não pode tentar antecipar o que o espectador deve ver ou compreender. Nessa nebulosa confusa que chamamos de arte contemporânea, abraçar a dúvida sobre as capacidades da arte pode ter uma função emancipatória.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Doha: O velório do Protocolo de Kioto

Alejandro Nadal
La Jornada

Não é fácil, às vezes, desfazer-se de um cadáver. Especialmente quando há muitos interessados em manter as aparências de que o defunto segue vivo. Isso está ocorrendo com o Protocolo de Kioto, o tratado internacional que fixou metas quantitativas obrigatórias para reduzir as emissões de gases causadores de efeito estufa. Esse tratado foi liquidado em 2009 durante a COP15, a décima-quinta Conferência das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (UNFCCC). Ainda que nas conferências de Cancún e Durban (COP16 e COP17, respectivamente) tenha se tentado manter a aparência de boa saúde a verdade é que o protocolo de Kioto não renasceu.

Este ano foi a vez da COP18 em Doha e voltou-se ao mesmo expediente: exibir como corpo vivo um tratado do qual já retiraram o coração. Todos no interior do centro de convenções podem lhe dizer que, apesar de as metas de caráter vinculante do tratado expirarem no último dia deste ano, as outras disposições do Protocolo de Kioto permanecem vigentes. No sentido estrito isso é correto. Mas as metas obrigatórias eram a essência do tratado. Embora, tecnicamente, possa se dizer que o tratado segue vivo, também é certo que o Protocolo de Kioto foi eviscerado. Talvez estejamos na presença de um tratado zumbi.

A tragédia começa no final da conferência COP15, em Copenhague. Um pequeno grupo de chefes de Estado e diplomatas, ao lado do processo formal de negociações, reuniu-se em uma sala e chegou ao que se chamou de Acordo de Copenhague. Quando o documento foi apresentado pelo governo dinamarquês em uma reunião plenária, onde havia representantes de 150 países, os delegados foram informados que teriam uma hora para lê-lo antes da votação. Estourou o caos, obviamente.

O Protocolo de Kyoto tem muitos defeitos, mas ao menos foi resultado de um processo de negociações multilaterais que desembocou em metas vinculantes sobre redução de emissão de gases e consagrou o princípio de responsabilidade compartilhada e diferenciada sobre a mudança climática. O Acordo de Copenhague perdeu as primeiras duas características e só manteve um débil vínculo com a terceira.

Esse acordo reconheceu a necessidade de manter o aumento da temperatura abaixo de dois graus centígrados. Os países em via de desenvolvimento, pela primeira vez, foram chamados a adotar uma estratégia para reduzir emissões e se estabeleceu um fundo de financiamento (com recursos insuficientes). Mas o mais importante é que agora os países ricos fixariam voluntariamente novas metas para reduzir emissões a partir de 2020. Estas metas deveriam ser mais estritas que as do Protocolo de Kioto e deveriam se adotadas no mais tardar em 31 de janeiro de 2010. Obviamente, a palavra-chave em tudo isso é “voluntariamente”: cada país poderia fixar suas próprias metas e escolher o ano base.

A plenária de Copenhague decidiu “tomar nota” do documento, mas não o aceitou como decisão da assembleia. No entanto, o documento foi a arma para destruir o Protocolo de Kioto. Em seu lugar, ficaram as metas voluntárias e o esforço para negociar um novo acordo com metas vinculantes foi desmanchado. Na COP16 de Cancún, o governo mexicano jogou seu conhecido papel de recolhedor de lixo, boicotou os protestos dos representantes da Bolívia e da Venezuela, ao mesmo tempo em que ajudou a reorientar as “negociações” para temas supostamente mais específicos.

Ao final, as metas voluntárias que os países ricos fixaram para 2020 não são suficientes para cumprir o objetivo de limitar o aquecimento global em dois graus centígrados. Para evitar perturbações perigosas no clima (para usar a linguagem da UNFCCC), a reunião de Doha deveria estar considerando opções como deixar as 2/3 partes das reservas mundiais de combustíveis fósseis no subsolo, tal como defendem cientistas como James Hansen.

Em lugar de negociar ao redor de metas sérias, como reclama a comunidade científica, a COP18 se preocupou em temas como REDD (Redução de Emissões por Desmatamento) e os novos esquemas de agricultura “inteligente” que só servirão para promover o mercado mundial de certificados de emissões de carbono, um esquema que não funciona e destrói a agricultura sustentável. O importante é que, na ausência de metas vinculantes de redução de emissões, todos esses temas “específicos” são simples instrumentos para promover o mercado mundial de bônus de carbono, um novo espaço de especulação financeira.

Em Doha, não foram tomadas decisões sobre metas efetivas para reduzir emissões de gases causadores de efeito estufa. Em troca, a reunião procurou consolidar a nova era de instrumentos baseados no mercado de carbono. Em muito pouco tempo será demasiado tarde. Se, nos últimos 200 anos, o aumento de temperatura foi de 0,8 graus centígrados, podemos imaginar o que acontecerá com aumentos de 2 e até 3 graus. A COP18 de Doha é uma etapa a mais neste tortuoso caminho.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Las promesas de Peña Nieto

Laura Carlsen
Programa de las Américas

Sobre un fondo de violentos enfrentamientos en las calles que contrastaba fuertemente con la cuidada puesta en escena de los actos oficiales, Enrique Peña Nieto asumió la presidencia de México el pasado 2 de diciembre. Las líneas generales de su proyecto para los próximos seis años, a falta de los detalles, revelan que los cambios propuestos son, como el nuevo presidente, meramente cosméticos y afectan a aspectos superficiales.

Después de jurar su cargo en la Cámara de Diputados en el Palacio de San Lázaro y tomar juramento a los miembros de su gabinete, el recién inaugurado presidente de México apareció ante los invitados en el Palacio Nacional, situado en la céntrica la Plaza de la Constitución, para ofrecer su primer discurso como titular del Ejecutivo.

Peña Nieto comenzó su intervención con un rápido repaso de la historia de México, mencionando las culturas prehispánicas y la española, las corrientes liberales y revolucionarias y el “pasado reciente”. Sin referirse al PRI, enfatizó el ordenado cambio de poder desde 1934 y el “rápido proceso de la democracia”, que, irónicamente, se remonta a 1968, el año en que su partido masacró a cientos de estudiantes en Tlatelolco.

El presidente concluyó con lo que sería la tónica de su discurso: que México está “listo para despegar” y que “todos coinciden en que tenemos una oportunidad histórica.” Su alocución se centró en el “momento mexicano”, la idea de un punto de inflexión a partir del cual México entraría finalmente en un periodo de paz, prosperidad y reconocimiento global.

Peña Nieto mencionó los desafíos que quedan por delante, afirmando que México es un país que “crece a dos velocidades: una de progreso y desarrollo y otra de atraso y pobreza” y aludiendo a la falta de empleo y oportunidades educativas. Su discurso incluyó un número de medidas específicas, aunque no detalladas, que proporciona algunas claves para el análisis.

Peña Nieto comenzó con los “cinco puntos estratégicos” de su nuevo gobierno:

1. México en paz: Peña Nieto ofreció “poner al ciudadano y a su familia en el centro de la política de seguridad.” Se refirió a esto como un “cambio de paradigma”, sin mencionar la guerra contra las drogas por su nombre ni a las 60 u 80.000 personas asesinadas bajo este modelo durante el mandato de Calderón. Prometió mayor coordinación entre las distintas agencias y un esfuerzo para combatir la impunidad, y concluyó: “No habrá seguridad mientras no haya justicia.”
2. Un México inclusivo: Peña Nieto promovió la construcción de un México “inclusivo” y terminar con la brecha de desigualdad para que todos, madres y padres, puedan mantener a sus familias. Dijo que México debería convertirse en una sociedad igualitaria de clase media.
3. Educación de calidad para todos: que forme estudiantes responsables y comprometidos con sus comunidades.
4. Crecimiento económico: mediante una mayor competitividad, el aumento del crédito, una mayor inversión en infraestructura, el fortalecimiento del mercado interior y la expansión del mercado global, para que México pueda posicionarse como una de las economías emergentes.
5. México como un actor global responsable: participación mundial a través de la moderna diplomacia, de manera que México se convierta en un factor de estabilidad en el mundo y en una voz que defienda la libertad. Peña Nieto también utilizó este punto para agradecer a los representantes de otros países su presencia.

Detrás de las promesas

Los cinco puntos están formulados en términos muy vagos, como suele ocurrir con las promesas presidenciales. Sin embargo, podemos aprovechar lo que se dijo para anticipar los desafíos y las posibles contradicciones que estos plantean, y evaluar la voluntad política para llevarlos a cabo en los próximos seis años.

Política de seguridad. Peña Nieto se refirió explícitamente a “un cambio de paradigma”. Esto no deja de llamar la atención, dado que es lo que el movimiento pacifista y los analistas críticos (el Programa de las Américas del Centro para la Política Internacional, entre otros) han estado reclamando durante años. Sin embargo, es muy poco lo que hay en la parte estratégica o en las “13 decisiones” enumeradas después para apoyar dicho cambio.

Un verdadero cambio de paradigma requeriría dos medidas que el gobierno de Peña Nieto ha dicho que no tomará: la retirada de las fuerzas armadas de la lucha contra el narcotráfico y la renegociación de la cooperación en cuestiones de seguridad con el gobierno estadounidense. Peña Nieto ha propuesto la creación de una “gendarmería nacional”, que es una policía militarizada, o un cuerpo de formación militar con competencias policiales para tratar con la población civil. Eso es lo que ya tiene México, puesto que ha sido precisamente la lucha contra las drogas la que ha desdibujado la línea que separa las fuerzas policiales y militares. Sin un plan para reducir la militarización, las promesas de “repensar” la guerra contra las drogas palidecen.

El gobierno de los Estados Unidos, a través de la Iniciativa de Mérida, ha promovido y apoyado activamente el modelo de guerra contra las drogas de aplicación de la ley e interdicción, y ha sido la punta de lanza de la creciente intervención de ese país en la lucha contra el narcotráfico en México. Aunque tanto el gobierno estadounidense como el mexicano han admitido en público y en privado (en los cables filtrados por Wikileaks) que la estrategia no ha funcionado (de ahí su insistencia en que es cuestión de tiempo), la respuesta sigue siendo continuar sin realizar mayores ajustes ni evaluaciones en serio.

Las compañías estadounidenses de defensa, inteligencia y seguridad dependen de la guerra contra las drogas para obtener contratos multimillonarios con el gobierno. Como resultado de la Iniciativa de Mérida, el Pentágono y las agencias estadounidenses han logrado una libertad de acción sin precedentes incluso para dirigir operaciones en suelo mexicano. Los halcones del gobierno y la industria armamentística no renunciarán a ella fácilmente. Peña Nieto lo sabe, y también sabe que la economía de su país es fuertemente dependiente de su vecino del norte. Los políticos estadounidenses mostraron su preocupación en caso de que el gobierno mexicano tratara de negociar algún tipo de acuerdo con los cárteles de la droga, una opción que resulta prácticamente imposible en este momento por los cambios en las estructuras del crimen organizado. Peña Nieto ha asegurado a los Estados Unidos que durante su mandato se mantendrá la guerra contra el narcotráfico. Eso significa que continuarán las muertes, las desapariciones y la agitación social. Ni siquiera se menciona la posibilidad de redefinir la seguridad o la seguridad humana, aunque la idea de poner al ciudadano en el centro, más bien al estado, podría interpretarse como más cercana a ese concepto.

Hacer referencia a la necesidad de justicia y de acabar con la impunidad es un paso políticamente correcto pero que carece de un verdadero contenido. La impunidad subyace en las instituciones gubernamentales y la corrupción del sistema judicial ha sido, históricamente, una construcción del PRI. La impunidad tiene que ser atacada desde arriba, ya que ha sido consentida e incluso promovida desde arriba durante demasiado tiempo. A este respecto resultan ilustrativos los ejemplos de lo sucedido a anteriores gobernadores del PRI acusados de graves delitos contra la población, como Ulises Ruiz en Oaxaca y Mario Marín en Puebla, e incluso al propio Peña Nieto por su papel en los asesinatos y violaciones que tuvieron lugar en la comunidad de Atenco. No les ha pasado nada en absoluto. La cubierta de teflón que protege a los políticos del PRI ha sido cuidadosamente preservada, con un puñado de excepciones notables como la de los ex-gobernadores Tomás Yarington (imputado y prófugo) y Mario Villanueva (extraditado a los Estados Unidos), quienes han sido procesado por delitos vinculados a la guerra contra las drogas a instancias de las autoridades estadounidenses.

Política económica: hacer que México sea verdaderamente “inclusivo” requeriría algunos cambios estructurales en la política económica que no es probable que ocurran durante el gobierno de Peña Nieto. El objetivo de esta estrategia se contradice bastante con la fórmula para el crecimiento económico señalada en el cuarto punto y en otras afirmaciones del nuevo presidente.

Se ha comprometido a profundizar más que a revisar el NAFTA, lo que significa que el campo continuará siendo diezmado a causa de la competencia desleal por parte de los de productos agrícolas subvencionados provenientes de Estados Unidos, y que al estado no le estará permitido adoptar medidas elementales, como favorecer a las industrias nacionales cuando se realicen compras o nuevos contratos, o proteger a los sectores vulnerables. Fortalecer el mercado interno al tiempo que se expande el mercado global suena estupendo, muy equilibrado, pero lo cierto es que lo primero y lo segundo necesitan políticas distintas y, a menudo, contradictorias.

Por ejemplo, construir un mercado interior fuerte requiere que se apoye la producción nacional, que es lo lógico y necesario pero que está prohibido bajo las normas del comercio neoliberal, y México es un líder mundial firmando acuerdos draconianos de libre comercio. Requiere, además, tener una población con poder de compra, mientras que para priorizar la inversión extranjera y ser competitivo en un mercado global amañado contra los trabajadores lo que se precisa es reducir los salarios, algo que los gobiernos mexicanos han estado haciendo durante las últimas tres décadas con el PRI y el PAN en el poder.

El loable objetivo de invertir en infraestructura hace que nos preguntemos “¿inversión para quién?”, y deja abierta la pregunta de cómo abordará la administración los controvertidos proyectos de infraestructura que violan los derechos indígenas y humanos. Más crédito sería una buena idea, pero hasta ahora el poco que ha estado disponible ha ido a parar de manera abrumadora a las manos de los grandes productores, empeorando aún más la distribución de los ingresos.

Una mejor educación: Esto conlleva dos medidas fundamentales, dedicar más recursos públicos a la educación y enfrentarse a la vieja dirigencia del corrupto sindicato de maestros. Varios analistas han afirmado que la designación de Emilio Chauyfett como Secretario de Educación ha sido un golpe para Elba Esther Gordillo, con una larga trayectoria como líder del Sindicato Nacional de Trabajadores de la Educación (SNTE). Yo no estoy tan segura.

Gordillo es un personaje político que escaló a lo más alto ejerciendo el poder de una gigantesca máquina para fabricar votos y clientela política. Esta máquina fue creada y sostenida por el PRI. Su capacidad para intercambiar favores permite a Gordillo ser quien manda en el sistema nacional de educación. Cambiar eso requeriría democratizar el sindicato. Las fuerzas para democratizar tienen que y deben provenir de las bases. La Coordinadora Nacional de Trabajadores de la Educación (CNTE), organizada para romper la influencia y la corrupción del sindicato, es en gran medida anti-PRI y está en contra de Peña Nieto. No es probable que su gobierno haga algo para fortalecer la democracia sindical de base (su partido bloqueó la transparencia en asuntos sindicales como parte de la reforma laboral) ni para apartar definitivamente a la dirigencia del SNTE.

Relaciones globales: lo que se dijo sobre ello fue tan poco sustancioso que resulta difícil saber lo que va a cambiar el gobierno de Peña Nieto. Las versiones escritas hablan de recuperar el lugar que le corresponde a México en el concierto de naciones como un “país solidario y comprometido con las mejores causas de la humanidad”. Cualquiera puede suponer lo que eso significa. Peña Nieto le contestó a Wolf Blitzer de CNN, quien le había preguntado deliberadamente cómo sería la relación con Castro y con Hugo Chávez, que tenía la intención de ampliar relaciones con los países del norte y del sur. Reconociendo así que los gobiernos del PAN enseguida se orientaron exclusivamente hacia el norte, hacia los Estados Unidos, y fueron hostiles hacia los gobiernos de centro-izquierda del Sur.

México ha actuado a veces como un representante de los Estados Unidos en la región, haciendo que otros países lo miraran con cierto recelo. El gobierno estadounidense ha utilizado activamente al mexicano en este sentido. Mientras la administración Obama siga generando divisiones en la región con el programa de Caminos hacia la Prosperidad, que solo incluye a los países que aceptaron firmar tratados de libre comercio con los Estados Unidos y mayor presencia militar de países aliados bajo la estrategia de la guerra contra las drogas, no le resultará fácil a Peña Nieto diseñar una política exterior neutral o equilibrada dentro del hemisferio, si ese es realmente el objetivo.

Las organizaciones de la oposición han prometido cambiar la orientación de sus esfuerzos y pasar de cuestionar las elecciones a cuestionar las políticas que consideran perjudiciales para el país. El líder de centro-izquierda y anterior candidato Andrés Manuel López Obrador se ha negado a reconocer al nuevo presidente y está construyendo un nuevo partido. En estos momentos, el movimiento #YoSoy132 está sorprendido e indignado por la respuesta violenta de la policía, al tiempo que hace un llamamiento a sus seguidores para que rechacen la confrontación violenta.

La frase que más se ha escuchado entre los analistas que siguieron el discurso inaugural de Peña Nieto es “el diablo está en los detalles”. Aunque Peña Nieto se ciñó a esos cinco puntos estratégicos con 13 decisiones que incluían acciones más específicas, todavía dejó espacio para la especulación.

Las promesas políticas son a menudo, si no habitualmente, dejadas de lado cuando comienza la verdadera tarea de gobernar y uno se pregunta si fueron sinceras y no prácticas, o diseñadas para construir una imagen, no un gobierno. El PRI tiene práctica en el arte de la simulación, de elaborar un discurso público y una práctica privada. En cualquier caso, el país y el resto del mundo tienen ahora más pistas de lo que la vuelta del PRI significará para México, para los Estados Unidos y para la región.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Muere Niemeyer, el poeta de la curva

Francho Barón
El País

Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares (Río de Janeiro, 1907), Oscar Niemeyer, el último superviviente de los grandes maestros de la arquitectura del Siglo XX, el poeta de la curva, el pensador polifacético que encantó al mundo con la sinuosidad y la belleza estética de su prolífica obra, ha fallecido a los 104 años en Río de Janeiro. Tras haberle ganado una sucesión de pulsos a la muerte, ilusionado con celebrar su 105 cumpleaños el próximo 15 de diciembre rodeado por su esposa, Vera Lúcia, sus nietos, biznietos y tataranietos, Niemeyer no ha resistido el último embate de la enfermedad y la vejez. Deja atrás una interminable lista de premios y reconocimientos, entre los que constan el Pritzker de Arquitectura (1987), el Príncipe de Asturias de las Artes (1989) o la Royal Gold Medal del Royal Institute of British Architects (1998).

La salud del genio brasileño se vio especialmente deteriorada durante este año, con permanentes recaidas que lo obligaron a permanecer ingresado en el hospital Samaritano de Río de Janeiro en tres ocasiones. La primera fue en mayo, cuando tuvo que ser hospitalizado durante tres semanas por un cuadro severo de neumonía y deshidratación. En octubre volvió a ingresar en la misma clínica aquejado por un nuevo episodio de deshidratación. Tras recibir tratamiento durante algo más de dos semanas, obtuvo el alta el pasado 27 de octubre. No pasó ni una semana hasta que tuvo que regresar al centro médico, de nuevo deshidratado. Desde el dos de noviembre Niemeyer se alimentaba a través de una sonda gástrica, respiraba sin ayuda de aparatos y, según los boletines firmados por el doctor Fernando Gjorup, se mantenía lúcido. Fue una repentina disfunción renal, agravada por una hemorragia digestiva y una posterior infección respiratoria, el detonante del desenlace fatal. Niemeyer pasó sus últimas horas de vida asistido por un respirador y sedado.

El laureado arquitecto tuvo que encajar el pasado junio la muerte de su única hija, Anna María, víctima de un enfisema pulmonar a los 82 años. La conocida galerista carioca dejó en herencia a sus cuatro hijos un importante acervo de dibujos, diseños y objetos personales del autor de obras maestras como los palacios gubernamentales de Brasilia o la sede de la editorial Mondadori en Milán. Buena parte de esta colección salió recientemente a subasta por voluntad de los nietos de Niemeyer.

Durante los últimos meses los principales medios brasileños han informado pormenorizadamente del agravamiento de la salud del que fuera el arquitecto más premiado de la historia de Brasil y figura indispensable de la cultura de este país. Alguna cabecera llegó a avanzar erroneamente su muerte dando pábulo a oleadas de comentarios en las redes sociales que siempre acababan siendo desmentidos.

Niemeyer, el hombre centenario que nunca claudicó, el comunista irredento, mantuvo su actividad hasta los últimos días. En su maravilloso estudio ubicado desde hace más de 50 años en la útima planta del edificio Ypiranga, en la avenida Atlántica, bañada por la legendaria playa de Copacabana, el arquitecto solía recibir semanalmente a grupos de amigos para debatir sobre las más variadas disciplinas. Allí seguía supervisando y firmando proyectos junto a su fiel equipo de colaboradores; allí despachaba la correspondencia que le llegaba desde medio mundo, como el paquete remitido por Fidel Castro hace cinco años desde La Habana que, en un guiño cómplice y socarrón, contenía los guantes de un famoso campeon cubano de boxeo.

Niemeyer se casó por segunda vez a los 98 años y hasta su última hospitalización no renunció a sus pequeños placeres diarios, como la copa de vino del almuerzo. Su salud parecía a prueba de obuses hasta que hace un par de años su médico le obligó a abandonar los cigarrillos que tanto echó de menos hasta el último segundo. “No tengo cien, tengo 60 años. Si hoy hago todo lo que hacía con 60 años, entonces tengo 60 años”, respondió con sorna en julio de 2007, cuando le preguntamos por la sensación de llegar al siglo de vida. Y a ello añadió, con la sencillez de los grandes de verdad: “La vida es demasiado corta, es un minuto. Un minuto que pasa deprisa”.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A batalha entre o México autoritário e o México democrático

Eduardo Frebbro
Carta Maior

O México muda de presente político e, talvez, de futuro social. O presidente Felipe Calderón deixou o poder no dia 1º de dezembro com uma montanha de mortos – mais de 50 mil – como herança de um mandato marcado pela infrutífera luta contra o crime organizado e cujo fim marca também o fim do que é chamado no México de “alternância”.

Hoje volta ao poder o partido que forjou o México contemporâneo, o PRI, cujo candidato, Enrique Peña Nieto, ganhou as eleições de julho passado. Após mais de 70 anos no poder, o Partido Revolucionário Institucional (PRI) perdeu as eleições presidenciais em 2000 para o Partido Ação Nacional (centro-direita). A ilusão que essa mudança suscitou se mede hoje pelo desencanto que os dois mandatos do PAN deixaram como resultado: o de Vicente Fox entre 2000 e 2006, e o de Felipe Calderón, entre 2006 e 2012.

Em julho de 2012, entre a centro-direita do PAN, a direita do PRI e a esquerda do PRD, os eleitores optaram pelo PRI. Mas o velho partido autoritário regressa a um país mudado, a um México que, para além das decepções, acumulou uma cultura democrática que não possuía. A “transição” foi uma frustração, mas a sociedade civil não se rendeu. Surgiu um México que grita e reclama por seus direitos, que milita e busca seus mortos e pede justiça, ao lado de um México que se cala.

Sergio Aguayo fala desses dois Méxicos com a paixão de um cientista enamorado: lúcido e certeiro, esperançoso, mas não inocente, comprometido com as pulsões do México até nos silêncios. Esse analista brilhante, autor de livros chave sobre a realidade mexicana – La Charola, El Panteón de los Mitos, Vuelta en U, La Transición en México – faz um balanço crítico dos sonos perdidos no caminho da transição democrática iniciada em 1996. Também olha para o futuro, consciente do peso horrendo da guerra, mas confiante na força desse México que tirou a mordaça do medo.

Chegamos ao momento de uma nova transição paradoxal: o regresso do PRI ao poder após 12 anos de oposição. Em resumo, volta ao primeiro plano o partido autoritário, machado por inúmeros casos de corrupção. A vitória do PRI parece refletir também a enorme decepção que a transição deixou.

É uma história bastante complexa. Em primeiro lugar, minha geração se equivocou ao supor que eleições limpas eram sinônimo de democracia. Começamos a ter eleições razoavelmente limpas, mas não tivemos democracia porque se produziu um problema associado: cada vez que havia uma mobilização social no México, o regime autoritário respondia com uma reforma eleitoral que fortalecia os partidos. Em 1996, os partidos se converteram em magnatas da noite para o dia com o aumento do financiamento público em doze vezes. Isso significou que os partidos políticos se esqueceram de representar a sociedade e passaram a se preocupar com as pequenas elites. Isso levou a que a alternância do poder político se tornasse uma redistribuição muito desigual do poder econômico, informativo e coercitivo.

Por conseguinte, o que vemos no século XXI é uma democracia profundamente desigual em todos os sentidos. Há um acúmulo de poder na cúpula e uma repartição desigual nos setores médios e baixos. Isso terminou significando várias coisas: primeiro, que a corrupção cresce. Os governadores se tornaram extraordinariamente poderosos; dois, os multimilionários crescem mais – não é por acaso que temos o homem mais rico do mundo. Esse setor obteve um tratamento privilegiado por parte do Estado; três, os canais de televisão adquiriram um poder imenso. Em última instância, ainda que tenhamos tido avanços, porque o México de 2012 não é o de 1968, a sociedade não conta com suficientes instrumentos para poder equilibrar essas distorções. Em síntese, a redistribuição do poder foi integral e levou à violência.

Há então uma relação direta entre a forma pela qual o poder político usou a alternância em seu benefício e a violência que o México conhece hoje.

Esse processo iniciou depois da Segunda Guerra Mundial quando o crime organizado começa a crescer muito lentamente. No passado, o crime organizado estava controlado por um Estado centralizador. Com a alternância, o poder se fragmentou e uma das consequências não buscadas pela alternância foi que o crime organizado cresceu porque passou a negociar com os governadores ou os presidentes municipais.

O que vemos então, entre 2006 e 2012, é a explosão do poder do crime organizado, o qual tem uma enorme capacidade de fogo graças à corrupção nos Estados Unidos. A atitude dos Estados Unidos permite um contrabando de armas incrível, terrível e intenso. Os carteis do crime organizado têm exércitos muito bem armados que enfrentam com êxito o Estado mexicano. Em consequência, estamos numa etapa na qual existe um México em guerra e um México em paz, onde o poder está concentrado nas mãos de elites governantes que estão divorciadas da sociedade. Os partidos não representam a sociedade e esta se defende com mais ou menos êxito dependendo da cidade ou do Estado. O Distrito Federal tem o grau de concentração de capital social mais alto do país e, por conseguinte, se defende melhor que Michoacán ou Tamaulipas, onde a sociedade civil é muito débil.

Sua análise faz o retrato de um poder político estratificado. Com que forças conta o país para romper esse bloqueio levando em conta os níveis de violência que existem?

Creio que vem aí uma década de reajustes na redistribuição do poder. A guerra vai durar pelo menos mais uma década. Serão anos nos quais haverá reacomodações e nos quais a sociedade avançará na defesa de seus interesses segundo as regras da participação na vida pública. Essas regras não são uniformes em todo o país. O México não é um país homogêneo. Há enormes diversidades em cada região, o que é válido na Cidade do México pode ser irrelevante em Mérida ou Tamaulipas. Mas o país está se movendo e essa fluidez no movimento faz com que a situação mexicana seja tão confusa e, ao mesmo tempo, tão fascinante.

Há, contudo, um dado estonteante: a cifra de mortos. Como e por onde terminar com isso?

Me parece que temos que aceitar que somos um país em guerra. Tudo seria mais fácil se aqueles que governam o México e a comunidade internacional aceitassem esse fato. Mas, infelizmente, seguem uma política evasiva, uma atitude de avestruz. O governo e a comunidade internacional fazem todo o possível para minimizar, para ignorar a tragédia humanitária que o México vive. Uma parte da comunidade internacional comprou as teses do governo mexicano, que diz: tudo isso é transitório, são os narcos que estão se matando entre eles, etc., etc.. Algo muito curioso é a pouca informação que se tem sobre o custo social da guerra. A informação que temos é extraordinariamente inquietante, não só pelos mortos: estima-se que há 40 mil sequestrados nos últimos anos e mais de 14 mil desaparecidos. O Chile teve 3 mil, a Argentina entre 10 mil e 30 mil. Nós já temos 15 mil desaparecidos nesta guerra e o mundo faz o possível para ignorá-lo.

É um absurdo. O que vem aí é uma etapa enorme, de desafios gigantescos. Quanto ao que ocorreu, eu creio que era necessário enfrentar o crime organizado, mas o que critico no presidente Felipe Calderón é a mediocridade de sua estratégia. Em 2007, Calderón disse: “abri o paciente supondo que tinha um câncer, mas descobri que já havia uma metástese”.

Em resumo, aqui se declarou uma guerra sem se ter uma ideia clara da magnitude do perigo. Calderón não antecipou e se aferrou a uma estratégia fracassada, se negou a escutar e minimizou o custo social que a guerra estava causando entre vítimas e desaparecidos. Felipe Calderón é um comandante medíocre.

Um comandante medíocre seguido por uma incógnita: Enrique Peña Nieto, o novo presidente, é um autêntico mistério.

Sim, Peña Nieto é um enigma. Não sei o que ele pensa. Independentemente do fato de ter ganha a eleição de uma maneira bastante suja, desejaria que o novo presidente tivesse uma estratégia mais inteligente. Enrique Peña Nieto representa um PRI muito atrasado, o do Estado do México. É produto do PRI mais autoritário, mais opaco e, talvez, o mais corrupto do país. Mas o México mudou nestes últimos anos. A história não é uma massa de modelar que os governantes modelam ao seu bel prazer. Para além dos planos do PRI, esse grupo é uma peça dentro de uma engrenagem de poder mais complexa. Um dos erros que se comete é pensar que o fato de o PRI regressar ao poder significa a volta do presidencialismo.

O PRI, porém, demonstrou que não se transformou. A sociedade sim. Como acreditar que um partido com tantas histórias feias possa, de uma hora para outra, sanear-se a si mesmo e sanear o país?

Quem iria acreditar que um partido como o PAN, que durante mais de 70 anos acumulou toneladas de decência e ética, iria entregar um país mais corrupto do que recebeu? O que veremos no México é uma grande batalha entre o México autoritário e o México democrático. O México democrático é aquele que, no sentido moderno, quer transparência, respeita a diversidade sexual e os direitos humanos. Para mim, trata-se de entender a realidade sem satanizar ninguém para defendermos aquilo que já alcançamos.

domingo, 2 de dezembro de 2012

La conferencia sobre cambio climático en Doha y el futuro de nuestro planeta

Amy Goodman
Democracy Now!

Este año, la conferencia anual de las Naciones Unidas sobre cambio climático se realiza en Doha, la capital de Qatar, emirato rico en petróleo ubicado en la Península Arábiga. En la conferencia, que comenzó esta semana y es conocida popularmente como “COP 18”, un ejército de burócratas, empresarios y ambientalistas se reúnen con el supuesto propósito de acordar medidas para reducir las emisiones mundiales de gases de efecto invernadero. El objetivo es llegar al nivel que, según los científicos, es necesario para limitar el aumento de la temperatura del planeta a un máximo de dos grados Celsius y evitar así una catástrofe climática a nivel mundial. Si se tienen en cuenta las conferencias anteriores, los intereses particulares de los países que son los principales contaminadores del planeta, donde Estados Unidos ocupa el primer lugar, impedirá el consenso mundial.

“Queremos que nuestros hijos vivan en un país que no esté... amenazado por el poder destructivo del calentamiento global”, proclamó el Presidente Barack Obama en su discurso de victoria el 6 de noviembre de este año, apenas una semana después de que la tormenta Sandy devastara la Ciudad de Nueva York y gran parte de Nueva Jersey, dejando un saldo de 100 muertos. Se trata de una aspiración noble. El problema es que es preciso tomar medidas de inmediato para prevenir la catástrofe que el Presidente Obama quiere evitar. Estados Unidos, que continúa siendo el principal contaminador de la historia mundial, constituye uno de los mayores obstáculos al logro de un programa mundial racional para detener el calentamiento global.

Los últimos datos científicos sugieren que la meta de limitar el aumento de la temperatura mundial a 2 grados Celsius podría estar fuera de nuestro alcance, y es posible que ahora estemos estancados en un aumento de temperatura de 4 a 6 grados. “La única forma de evitar las peores predicciones será efectuar transformaciones radicales en el modo en que funciona actualmente la economía mundial, es decir, mediante la rápida adopción de fuentes de energía renovables, la disminución drástica en el uso de combustibles fósiles o la aplicación a gran escala de la captura y almacenamiento de carbono, la eliminación de las emisiones provenientes de la industria y detener la deforestación”. Estas no son las palabras de un ambientalista loco, sino de asesores empresariales de la consultora Pricewaterhouse Coopers, más conocida como PwC, en su informe “Índice de economías de bajo carbono” publicado en noviembre de 2012.

Los asesores de PwC concuerdan en muchos aspectos con un grupo de ambientalistas que envió una carta abierta a la COP 18. Bill McKibben, fundador de 350.org, el activista nigeriano Nnimmo Bassey y Pablo Solón, quien antiguamente representaba a Bolivia en las negociaciones sobre cambio climático, afirman en la carta enviada a los negociadores de la COP 18: “Si queremos tener un 50% de probabilidades de mantener la temperatura del planeta por debajo de los dos grados, es preciso que las dos terceras partes de las reservas de carbón y petróleo permanezcan en el suelo. …No se trata de ‘matemática ambientalista’ ni de una interpretación radical, declararon, sino de datos tomados del informe publicado el mes pasado por la Agencia Internacional de la Energía. Significa que a menos que se tomen medidas drásticas a nivel mundial para cambiar nuestro curso actual, el final de la historia sobre el clima ya está escrito. No queda lugar a dudas. A menos que se tomen medidas considerables, estos combustibles fósiles se quemarán, la temperatura de la tierra aumentará y se generará una reacción en cadena de desastres naturales vinculados con el cambio climático”.

La Organización Meteorológica Mundial (organismo de Naciones Unidas) publicó sus conclusiones preliminares para 2012, entre las que se destacan la ocurrencia de eventos climáticos extremos como sequías, inundaciones y nieve o frío extremos, además de actividades de huracanes por encima del promedio en la costa del Océano Atlántico por tercer año consecutivo. En la apertura de la COP 18 habló el Dr. R.K. Pachauri, presidente del Panel Intergubernamental sobre Cambio Climático, integrado por más de 1.800 científicos de todo el mundo, que compartió el Premio Nobel de la Paz en 2007 con Al Gore. En términos puramente científicos, el Dr. Pachauri mencionó las catástrofes que podrían ocurrir a menos que se tomen medidas al respecto. Entre otras cosas, mencionó: “Se prevé que para 2020, entre 75 y 250 millones de personas [en África] estarán expuestas a mayor escasez de agua debido al cambio climático. …Si la temperatura promedio del planeta excede los 3,5 grados Celsius, las proyecciones sugieren que de un 40 a un 70% de especies podrían extinguirse en todo el mundo”.

El Presidente Obama defiende a viva voz la eliminación de subsidios a las empresas de gas y petróleo: “Un siglo de subsidios a las empresas petroleras es suficiente. Es hora de que los contribuyentes dejen de mantener a una industria que nunca ha sido tan lucrativa como ahora. Tenemos que duplicar las industrias de energía renovable que nunca han sido tan prometedoras como ahora. Eso es lo que debemos hacer”. Sin embargo, como señalan Oil Change International, Greenpeace y otros grupos, está “apoyando subsidios astronómicos a las exportaciones de combustibles fósiles mediante el Banco de Exportaciones e Importaciones de Estados Unidos”. En lo que va de 2012 se destinaron al menos 10.200 millones de dólares en concepto de financiamiento público para el desarrollo de proyectos de combustibles fósiles, lo que hacer parecer muy pequeña a la cifra de 2.300 millones de financiamiento que el Departamento de Estado afirma que entregó a los países en desarrollo para que tomen medidas para combatir el cambio climático.

Fuera de las salas y pasillos climatizados de la conferencia de la ONU sobre cambio climático en Doha, en el emirato de Qatar, que paradójicamente es el país con más emisiones de dióxido de carbono per cápita en el mundo, habrá manifestaciones. El recientemente creado Movimiento de Jóvenes Árabes por el Clima, que reúne a cientos de activistas de base de toda la región, entre ellos muchos que participaron en la Primavera árabe, están marchando para exigirle a sus países que lideren la reducción de emisiones.

Los jóvenes que hicieron posible la Primavera árabe derrocaron dictadores, pero ¿podrán derribar a las empresas petroleras? En vista de la creciente expansión de un movimiento mundial decidido a lograrlo, prepárense para un verano caliente, en más de un sentido.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Peña Nieto frente a los trabajadores

Arturo Alcalde
La Jornada

El regreso del Partido Revolucionario Institucional (PRI) al gobierno federal, después de 12 años de ausencia, genera todo tipo de interrogantes: ¿serán las cosas como antes? ¿Se repetirán las mismas prácticas de corrupción e impunidad? ¿Regresaremos al viejo corporativismo sustentado en el control y la inmovilidad laboral?

Cuatro elementos, entre otros, podrían responder en parte a estas preguntas: el desempeño gubernamental de Enrique Peña Nieto (EPN) en el estado de México, la actitud asumida durante el proceso de reforma laboral, las promesas de campaña y las primeras decisiones que en este reglón se asuman, iniciando con el tema de los salarios mínimos.

La política laboral de EPN en el estado de México, donde se concentra un buen número de empresas industriales y de trabajadores, siendo también el núcleo de población más importante del país, se ha caracterizado tradicionalmente por una administración laboral claramente protectora del sector empresarial y especialmente represiva frente a cualquier forma de lucha de los trabajadores, incluyendo los intentos de democratización sindical. Las movilizaciones obreras de los años 70 quedaron como una página destacada en la historia laboral, siendo desmanteladas por diversos medios, a cual más de violentos; esta paz sepulcral ha sido utilizada como un supuesto incentivo para la inversión.

Durante el periodo de gobierno de EPN se hizo evidente el control y subordinación de los distintos niveles de autoridad hacia el Ejecutivo; aspectos tan elementales como obtener información sobre el contenido de un contrato colectivo se convirtieron en un tema prohibitivo, cambiar al sindicato que el patrón impone fue una acción de imposible realización porque operaron pactos de supuesta no agresión entre sindicatos, que significaron la renuncia al libre ejercicio del derecho de asociación. Los contratos de protección patronal permearon en todo el sexenio y la complicidad con los líderes de las centrales obreras corporativas fue la constante. Obviamente, las autoridades laborales hicieron gala de este sometimiento generalizado.

Por lo que se refiere a la actitud asumida frente a la iniciativa de Calderón de reforma laboral, fue evidente el acuerdo con el sector empresarial para utilizar la aplanadora de votos del PRI y sus aliados para aprobar los temas más lesivos para los trabajadores, entre ellos facilitar el despido barato, cubriendo a los asalariados tan sólo el importe de un año de salarios caídos y de una pequeña cantidad adicional en los siguientes años. La reforma laboral fue un producto de Calderón y Peña Nieto.

El capítulo final aprobado, que suprimió la eficacia en la propuesta de rendición de cuentas de los líderes sindicales, que regula de manera deficiente el voto secreto y negó la posibilidad de que los trabajadores fueran consultados para la firma de los contratos colectivos, como un punto clave para rescatar la contratación colectiva de la corrupción y la simulación, exhibió claramente la voluntad política del nuevo gobernante para impedir un cambio en esta materia. La consulta directa a EPN en momentos definitorios de la votación en ambas cámaras del Congreso hizo evidente no sólo la extrema subordinación de los legisladores, sino también la orientación laboral del mismo.

En relación con las promesas de campaña, Peña Nieto desplegó un gigantesco listado de promesas de todo orden. Los renglones prioritarios se refieren a los temas de energía, seguridad y reforma fiscal; en el apartado laboral se destacaron tres aspectos: el compromiso de promover la seguridad social universal, el seguro de desempleo y la recuperación salarial. No identificamos otros elementos orientados a la modernización de corte estructural del mundo del trabajo, como sería transformar el sistema de justicia, que constituye una exigencia creciente por la parcialidad con que se ha conducido, tanto en el ámbito federal como local.

Los tres temas señalados son de gran importancia. Sin embargo, hasta la fecha no se han aportado detalles para su implementación. No son promesas privativas del priísmo, sino que han sido compartidas por distintas expresiones políticas respondiendo a una añeja demanda social. La seguridad social universal puede convertirse en un aspecto clave para reducir la pobreza y hacer posible el desarrollo de otras políticas públicas. El seguro de desempleo puede atemperar buena parte de las lesiones ocasionadas por la reforma laboral y la recuperación salarial es una recomendación constante, no sólo de los economistas más destacados del país, sino también de organismos especializados tan importantes como la Cepal (Comisión Económica para América Latina), vinculada con Naciones Unidas.

Atendiendo los antecedentes señalados, es difícil asumir una actitud optimista respecto de las promesas de Peña Nieto, ya que la vertiente política del PRI que representa no ha demostrado ser favorable a una modernización en el campo laboral. Todo indica que el afán reformador se orientará más a una política de corte privatizador similar a las épocas del salinismo.

No se necesita mucho tiempo para constatar definiciones de gobierno; la vocación política de EPN se hará presente en la próxima decisión sobre el monto de incremento a los salarios mínimos. Es claro que la representación empresarial se resiste a la más elemental recuperación: así lo hizo saber en días pasados, al negarse a un reducido ajuste para igualar la clasificación regional de los salarios; un cambio en la clasificación de dos regiones, de 1.76 pesos diarios, le pareció excesivo. Más allá de digresiones falsas, tales como afirmar que el salario mínimo no es importante ni representativo para el diseño de una política salarial nacional, es evidente que el monto de su incremento impacta el comportamiento del resto de los salarios, incluyendo los contractuales; por ello es fundamental que los salarios mínimos superen en varios puntos la inflación, y sobre todo aquélla de carácter real, no reducida a variables que no son representativas para el (o la) trabajador(a) común. Esta definición salarial aportará elementos para dilucidar hacia dónde transitará el nuevo gobierno.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Palestina, un territorio agujereado

Olga Rodríguez
El Diario

La admisión de Palestina como Estado no miembro en Naciones Unidas es un paso importante. Pero se necesita algo más que símbolos para que haya un cambio real en el terreno.

Lo que este jueves se ha aprobado en la Asamblea General de la ONU, con la oposición de Israel y Estados Unidos, es la admisión de Palestina como Estado observador de Naciones Unidas. Con ello la Autoridad Nacional Palestina tendrá mayor acceso a las diversas agencias de Naciones Unidas y al Tribunal Penal Internacional, donde podría presentar denuncias contra Israel, algo sin duda significativo. Por eso estos días pasados algunos países, como Reino Unido, anunciaron que apoyarían la iniciativa de los palestinos siempre y cuando éstos no acusaran de crímenes de guerra a Israel ante la Corte Internacional.

En la práctica, la entrada de Palestina como Estado no miembro no supone nada más. Lo que se decide en la Asamblea General de Naciones Unidas no es vinculante, y siempre precisa de la ratificación del Consejo de Seguridad de la ONU, que ya el pasado año pospuso la votación para admitir a Palestina como Estado, con la amenaza de Estados Unidos de vetar la propuesta. Pero el gesto, que ha venido acompañado de un reconocimiento del derecho de los palestinos a un Estado sobre las fronteras de 1967, no es baladí.

Las revueltas árabes han trastocado las alianzas regionales, algo está cambiando en Oriente Medio, Qatar, Egipto y Turquía están siendo más contundentes con Israel y Hamás se ha acercado a Qatar. Todo ello podría servir para intentar reactivar la situación palestina, y la comunidad internacional está tomando nota de ello.

De momento, cambian las formas, no el fondo. Para que el Estado palestino se convierta en algo real se necesitan algo más que símbolos. Estados Unidos tendría que permitir el reconocimiento de Palestina como Estado de pleno derecho en el Consejo de Seguridad de Naciones Unidas. E Israel tendría que retirarse de Cisjordania, ahora acantonada, separada, dividida y esparcida en un mapa agujereado y discontinuo. De lo contrario, estaríamos ante un Estado palestino con miles de fronteras -una en cada asentamiento judío- y con instituciones que llevan años asfixiadas económica y militarmente. Por no hablar de la desconexión territorial de Cisjordania y Gaza, divididas por territorio israelí.

Mientras no haya una voluntad real de paz será inviable un Estado palestino real, con todo el significado que el término Estado implica. La aceptación de un Estado palestino de pleno derecho es una opción deseable, pero no la única. Personalidades como el difunto Edward Said han defendido un modelo de Estado binacional, donde árabes y judíos pudieran vivir en igualdad de condiciones, con los mismos derechos, sin exclusiones, en el mismo país. Para ello Israel tendría que renunciar a su esencia actual, basada en el carácter judío de su Estado.

La Ley del Retorno de Israel establece que cualquier judío del mundo, cualquier hijo o nieto de judío, y cualquier persona que se convierta al judaísmo tiene derecho a residir en Israel y a tener la ciudadanía israelí. También pueden acceder a la nacionalidad las personas casadas con israelíes, a excepción de los palestinos de Cisjordania y Gaza menores de 35 años y de las palestinas menores de 25 años. Sin embargo, un palestino nacido en Jaffa, por ejemplo, no tiene derecho a regresar a su tierra.

La voluntad de exclusión de esta ley contra un pueblo determinado es evidente. Un sueco que se convierta al judaísmo tiene más derecho a vivir en Israel que cualquier palestino expulsado que haya nacido allí o que sus descendientes. Solo así Israel es capaz de mantener su esencia como Estado judío.

Israel solo puede seguir siendo un Estado judío si mantiene la supremacía demográfica o legal de la población judía. Para ello tarde o temprano tendría que llevar a cabo una nueva limpieza étnica como la del 1948 -admitida como tal por historiadores israelíes como Benny Morris o Ilan Pappé- o practicar la segregación étnica legalizada, es decir, el apartheid. De otro modo, Israel no podría existir como Estado judío, sino como un Estado realmente democrático e integrador, donde haya cabida real para la población palestina.

Si un futuro Estado palestino va a tener sus fronteras y su espacio áereo controlados por Israel, si va a ser un territorio inconexo, desconectado e interrumpido por los asentamientos judíos, si va a estar expuesto al bloqueo comercial y al control israelí, la exigencia de un Estado binacional será una obligación para alcanzar la paz. La defensa de ese modelo exigiría que Israel pusiera fin a su voluntad discriminatoria como Estado judío de mayoría judía dispuesto a no admitir el crecimiento de otras comunidades étnicas o religiosas dentro de sus fronteras. Sea cual sea el camino que se escoja, la paz es posible. Hay decenas de soluciones y propuestas encima de la mesa. Pero falta la voluntad para aceptarlas.

Como me dijo en una ocasión Rami Elhanan, israelí integrante de la Asociación Parents Circle y que, a pesar de haber perdido a su hija en un atentado suicida apuesta por la defensa de los derechos de los palestinos, ‘Israel solo aceptará suscribir un pacto de paz cuando se dé cuenta de que el precio de no tener paz es más alto que el de tenerla’.

Para que eso ocurra es fundamental la presión de la comunidad internacional a través de los gobiernos y de la sociedad civil. Una presión que obligue a Israel a valorar si realmente le interesa condenar a árabes y judíos a ser víctimas de una situación política.

Otro Israel es posible: un Israel que apueste por el fin de la ocupación y de la exclusión del pueblo palestino. Puede resultar inconcebible, pero recordemos que una Sudáfrica sin apartheid también parecía imposible hace unos años.